O vendedor ambulante e a disputa pelo seu espaço

Equipo: Cínthia Seroni, Lídia Araújo, Mariana Cristina Ribeiro
Descripción de la propuesta

Existe um espaço na rua destinado para se estacionar um veículo automotivo particular, que pode ser perfeitamente excluído ou remanejado, já que não apresenta qualquer relevância na dinâmica humana da cidade e que ainda, sobrepõe o interesse individual ao coletivo. Pensando nisso, o ponto de partida da proposta é incluir um módulo que possa ocupar duas vagas de carro, 10m x 2,5m, permitindo que o vendedor ambulante mantenha a dinâmica do seu trabalho com segurança e liberando o espaço para outras atividades na calçada. Dentro deste módulo, como medida de segurança contra a contaminação do coronavírus, se desenvolveu eixos de 2 em 2 ao longo destes 10 m, podendo assim, abrigar 4 vendedores com distância segura entre eles. A proposta é que, eles possam expor seus produtos para vendas sentados atrás de um balcão (1,2m x 1,1m) que estariam virados para a calçada e também manteriam uma distância segura entre vendedor e comprador. Entre esses balcões três aberturas de 0.80m para circulação, sendo que duas delas, podem ter o espaço destinado a acomodação de suas bicicletas. Para garantir acessibilidade, o balcão terá 75cm de altura, e não abrigará nada embaixo para que se respeite o raio de 1,25m para manobra de pessoa em cadeira de roda. O projeto propõe uma cobertura que, inspirada no guarda-sol utilizado por muitos ambulantes, pode captar água da chuva. O objetivo é que essa água possa ser conduzida até dois lavatórios, onde pessoas possam lavar as mãos, também como medida preventiva contra a contaminação da COVID-19. Para que os vendedores não fiquem diretamente conectados com o fluxo de veículos que passam, a floreira pode realizar uma espécie de barreira protetora e ainda trazer o elemento verde a cidade.

Desafío

Trabalhadores ambulantes informais existem no mundo todo, principalmente na América Latina, e são o retrato de desigualdades sociais históricas que atingem vários setores da cidade. Temos consciência que, o problema está enraizado e precisa de soluções maiores e mais complexas, muito além do espaço urbano ocupado por eles, indivíduos que lutam, diariamente, mesmo sabendo que terão poucas perspectivas de inserção, direitos e visibilidade no espaço. Como a grande maioria desses trabalhadores não tem outra fonte de renda, evitar o risco de se infectar pelo vírus não é uma opção, já que, como sua atividade laboral depende da apropriação da rua e do consumo das pessoas que circulam por ela, a disputa por um espaço na cidade é uma questão de sobrevivência. Disputa esta, que pressupõe um conflito constante com outros pedestres e enfrentam diversos direitos, como o direito de ir vir, o direito à cidade e o direito ao trabalho. Especialmente na calçada, onde se precisa ter área destinada ao mobiliário urbano, a circulação do pedestre, ao acesso dos estabelecimentos e ainda, em alguns casos, uma área ocupada por pessoas em situação de rua. Os trabalhadores ambulantes informais precisam enfrentar todos esses fatores para encontrar seu espaço de permanência para expor seus objetos de venda. É preciso buscar o equilíbrio dessas interações sociais que acontecem nas calçadas, não só como transformação urbana, mas também como instrumento de transformação social, onde todos tenham direito de ocupar e utilizar o espaço público. Mais que isso, em tempos de pandemia, olhar para a cidade informal e oferecer espaços em condições seguras para o cotidiano desses trabalhadores na rua, para que o trabalho desses indivíduos sejam reconhecidos como parte fundamental na dinâmica da cidade.

Potenciabilidad y Escalabilidad

"Vagas de estacionamento para carro na rua, ocupando o espaço que deveria ser dedicado a escala humana, existem em diferentes países, por isso, o espaço na cidade de 10m x 2,5m, pode ser facilmente encontrado. Como forma de escalar o projeto, o número de vagas pode aumentar conforme o número de ambulantes que estarão dentro do módulo, desde que se respeite o eixo de 2m entre eles para distanciamento seguro. Para abrigar mais pessoas, o que será necessário é o acréscimo de novos módulos, de acordo com o módulo pré-existente, em novas vagas. Para teste do protótipo, se pretende utilizar duas vagas em logradouro público da cidade, com vendedores que estejam legalizados, respeitando a legislação municipal, onde é autorizado a circulação de vendedores ambulantes. Preferencialmente, em um local onde esta dinâmica social de venda já aconteça, podendo ser testado pelos vendedores e população. Os vendedores encontrados serão selecionadas, mas dependendo da quantidade deles, será realizado um sorteio com base em um sistema de rotatividade, para determinar quem e quando poderá utilizar o protótipo, assim, mais vendedores teriam a oportunidade de experimentá-lo. Quanto a possibilidade de inserção, a proposta pensou em ser colocada direto na rua, mas o módulo pode acontecer em praças, parques ou em outros locais públicos, possibilitando ser utilizado por ambulantes que vendem diferentes setores de produtos. "

¿Te interesa esta idea?

País

Categoría

Temática